Segundona tentei entrar na minha rotina normal, aula de futevôlei, funcional e tal. À tarde subi a serra porque tinha uma reserva as 19:00 em Guarulhos. Reserva é quando ficamos confinados de uniforme em uma sala, disputando um lugar pra sentar até que um microfone num soe com uma vozinha indiscreta dizendo: - comissária fulana de tal, favor comparecer ao balcão de escala.
Eu, por exemplo, não ouvi essa vozinha, porque eu cheguei atrasada. Imagina passar em São paulo com chuva, o trânsito não anda e te estoura a gastrite. Quando vi que ia atrasar eu já liguei e falei: - Escala é o seguinte eu to uns 10 quilômetros do aeroporto e vai dar o horário da minha apresentação. E tem mais, eu não posso ficar nervosa, mas eu já to. O que que eu faço????
- Comissária pode prosseguir e se apresente no balcão da escala.
- Cheguei lá esbaforida, dei uma disfarçada e quando vi que estava tudo normal, fui jantar no aeroporto.
Quando voltei, uma tripulação inteira veio até mim, dizendo: - comissária do voo. É assim que a gente se apresenta quando vamos compor um voo.
- Comissária o quê? Pra onde?
- É Ane, você foi acionada, pra ir àbuscar um avião no Rio.
- Tá então, peguei uma troca de roupa, tipo calcinha, shorts, chinelo e pus no porta casaco porque não queria carregar a mala.
Fomos tentar embarcar pro galeão de extra - extra é quando não estamos tripulando. Disse tentar porque o aeroporto estava um CAOS, Era tanta gente, mas tanta gente que fomos praticamente escoltados. Não conseguíamos descer as escadas de tanta gente que tinha lá embaixo. Enfim decolamos já era meia-noite. Nossa regulamentação permite trabalhar nove horas e meia quando estamos em tripulação simples (número mínimo permitido). No caso poderíamos voar até 4:30 da manhã. A escala nos garantiu que 2:30 já estaríamos de volta. Aham.
No Rio de janeiro o caos era maior ainda. Faltou luz umas quatro vezes durante a noite. Os passageiros que fomos buscar estavam vindo de Miami, com previsão de pouso as 19:30 em São Paulo. A chuva fechou o aeroporto e alternaram para o Rio, que normalmente não recebe um "triplo seven". Pensa no humor deles. Enfiados numa sala sem energia e com 40 graus de calor. Depois serviram um lanchinho no saguão, até que nós chegamos. Detalhe, chegamos com fomeeee e não embarcou nada pra gente. Ainda bem que o comandante que nos trouxe exigiu algo, até que apareceram com, pediu e trouxeram um BOBS pra cada. É porque tripulante num come, num caga, num mija. Gente nós somos quase gente, é bem parecido.

Nenhum comentário:
Postar um comentário